quinta-feira, 27 de abril de 2017

Battle Angel Alita: Last Order






Yukito Kishiro (2013). Battle Angel Alita: Last Order Omnibus #1. Nova Iorque: Kodansha Comics.

É sempre divertido, se bem que pouco compreensível, mergulhar de chofre no meio de uma longa linha narrativa daquelas tão à japonesa, de cyberpunk hiper-cinético ultra futurista. A acção diverte, a estética seduz, e a leitura oscila entre o fascínio com a descoberta do mundo ficcional e a frustração porque, não se tendo lido os episódios anteriores, parte dos seus conceitos e premissas nos são inacessíveis. Alita - Gunm no original, é nisto uma boa surpresa, transportando-nos a um sistema solar futuro, colonizado mas com a humanidade a divergir em formas exóticas, com venusianos obesos, jupiterianos que trocaram a carne por corpos robóticos, Marte em perpétua guerra civil, e a Terra como berço, nexo político, alicerçada em duas cidades orbitais umbilicalmente ligadas a cidades flutuantes na atmosfera, sob as quais se espraiam gigantescas favelas.

Vamos descobrindo estas camadas de forma progressiva, através da reactivação da andróide de combate Alita às mãos daquele que tem sido um dos seus mais consistentes adversários. Reconstrói a inimiga com as mais avançadas tecnologias, manipulando-a para conseguir ascender aos segredos da cidade orbital. O resto, são cenas intensas de luta e intriga. A cidade flutuante é palco de uma intensa guerra civil quando os seus habitantes descobrem que os seus cérebros são substituídos no final da adolescência por chips com as suas memórias implantadas, e o destino desses cérebros, fazer parte de uma matriz que alimenta uma inteligência artificial, a obsessão do cientista que reconstrói Alita. Ao chegar à cidade orbital, novas e poderosas forças se revelam, aniquilando os mais poderosos, e Alita só sobreviverá com ajuda de um hacker que sobrevive nas entranhas da cidade orbital. O sentimento de viagem infinda, de cada etapa que prometia ser um final se revelar apenas mais um patamar para outro destino, é a grande característica deste livro, bem como a sua típica estética barroca de mangá cyberpunk.

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